Portugal vai acolher entre o final deste ano e o início do próximo ano projetos piloto no contexto europeu de testes de condução autónoma e, sobretudo, testes de comunicação entre a via e os veículos.

Um deles é o C-Roads, programa comunitário C-Roads, do qual fazem parte 16 estados membros, e que no caso nacional pressupõe um investimento em Portugal de 8,4 milhões de euros até ao final de 2020, metade dos quais comparticipados pela União Europeia.

Neste C-Roads Portugal têm vindo a trabalhar 31 entidades, entre as quais a Infraestruturas de Portugal (IP), a Brisa, a Ascendi, a Autoestradas Norte Litoral, a Scutvias, a Lusoponte, a Autoestradas do Douro Litoral, a Autoestradas do Atlântico, a Norscut – e as câmaras municipais de Lisboa e Porto, já que serão nas vias sob jurisdição destes organismos que decorrerão a maioria dos testes.

Os ensaios serão feitos em perto de mil quilómetros de asfalto, em autoestradas e vias rápidas, mas também em meio urbano. Nalgumas zonas fronteiriças, caso de secções em Valença (A3 e A28) e Caia (A6), serão também desenvolvidas experiências para se perceber a interoperabilidade das tecnologias entre países.

Não se pense, contudo, que os testes no C-Roads Portugal serão efetuados com carros a circular sozinhos, sem ninguém lá dentro. Ricardo Tiago, elemento do Instituto de Mobilidade e Transportes que tem feito a supervisão deste projeto entre nós, explicou ao Watts On que serão utilizados veículos com níveis de automação 2 (assistência ao condutor), 3 (automação parcial) e 4 (automação condicional). O nível 5 (automação total) está fora do cenário do C-Roads Portugal.

Será no âmbito de outro projeto (o Autocits) que Portugal vai acolher testes, esses sim, de condução puramente autónoma (nível 5). Acontecerão na CREL/A9.

O objetivo é perceber o funcionamento e eficácia do fluxo de comunicação entre via e carro (e caminhar, eventualmente, até para uma nova geração do atual sistema de troca de dados entre o centros de controlo e gestão do tráfego, e entre os centros de informação de tráfego e os prestadores de serviços é o Datex II – DATa EXchange).

Neste âmbito serão utilizados sistemas de comunicação híbridos (ITS G5 e celular).

Por outras palavras serão utilizados automóveis convencionais, nalguns casos, com pequenas adaptações para que as informações que a estrada envie (obstáculo ou trabalhos na via, túnel bloqueado, viaturas avariada, acidente dentro de 5 km, engarrafamento, chuva ou nevoeiro) sejam recebidas pelos condutores e este possa reagir e tomar uma decisão atempada acerca do trajeto que pretende seguir. Para tal, serão colocados 212 equipamentos diversos nas estradas para recolha e transmissão de dados e utilizados mais de 160 carros.

Os investigadores e especialistas vão testar a comunicação entre a infraestrutura e os veículos.

Na Conferência Internacional sobre Segurança Rodoviária, organizada pela Infraestruturas de Portugal, Ana Tomaz, diretora do departamento de segurança rodoferroviária da IP, Infraestruturas de Portugal, destacou, por isso, a importância deste projeto europeu e de nele também participar de forma ativa o nosso país.

Em 20 anos, Portugal reduziu em 92% a sinistralidade grave. “Estes resultados só foram possíveis com o investimento público feito nas últimas décadas nas infraestruturas, que contribuíram para salvar a vida de mais de 18 mil pessoas e poupar 50 mil milhões de euros em custos económicos e sociais” – secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d´Oliveira Martins.

Ana Tomaz considera, de resto, que “o investimento na infraestrutura é crucial, podendo salvar vidas. O C-Roads é um primeiro passo para termos estradas mais inteligentes”.

A responsável da IP, entende que os veículos conectados, autónomos e elétricos têm a capacidade de resolver os três grandes problemas que persistem na mobilidade e no sistema rodoviário: a poluição, os congestionamentos e a segurança.

“As estradas são um fator crítico de sucesso e no alcançar das metas de zero poluição, zero congestão e zero mortos. Temos de ser ambiciosos. Temos de preparar a nossa rede rodoviária para o futuro, adaptando-a às novas tecnologias” e aos veículos autónomos, sublinha Ana Tomaz.

Como que em resposta, Guilherme d’Oliveira Martins, secretário de Estado das Infraestruturas, entende que “em Portugal, a infraestrutura tem qualidade e condições para enfrentarmos este desafio”.

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