Nunca a procura de novos caminhos para o automóvel foi tão prolífera como no tempo dos pioneiros. Todas as soluções valiam. Acontece que algumas estavam demasiado avançadas para o seu tempo. Neste caso, cerca de 100 anos…

Ferdinand Porsche era um grande entusiasta da eletricidade e terá mesmo realizado uma instalação elétrica na casa de família, com lâmpadas e uma campainha da porta alimentada por baterias.

Em 1893 começou a trabalhar numa das mais importantes empresas de produção de material elétrico em Viena, na sua Áustria natal. A sua associação posterior ao empresário Ludwig Lohner, em 1898, teve em vista o desenvolvimento de veículos elétricos. O primeiro Lohner Elektromobile tinha motor entre as rodas da frente, que também eram motrizes, mas a direção era concretizada pelas rodas posteriores. A posição e funções foram invertidas (motor no eixo traseiro e eixo traseiro direcional), com resultados melhores. Mas Ferdinand Porsche procurava já uma forma de evitar as perdas de potência e outros problemas relacionados com a transmissão. Com o motor integrado nas rodas, esse problema desaparecia.

A sua abordagem era diferente, porque os motores ficavam nas rodas direccionais. Os enrolamentos da armação estavam fixos à jante, rodando à volta de um campo magnético central rígido. Os magnetos estavam colocados nos cubos das rodas e não rodavam. O comutador era em formato de disco e não cilíndrico, como era mais habitual, de modo a que as escovas de carbono mantinham o contacto apesar dos movimentos verticais provocados pelas oscilações do movimento na estrada.

A legenda desta figura

Não demorou para que a Lohner fizesse planos para produção de diversos tipos de veículos, de automóveis a camiões, utilizando este inovador sistema. Um pequeno automóvel elétrico apresentado na Feira Mundial, que em 1900 se realizou em Paris, surpreendeu todos, com os motores nas rodas dianteiras, uma velocidade máxima de 37 Km/h e uma respeitável autonomia de 50 quilómetros. A medalha de ouro recebida no evento tornou Porsche famoso da noite para o dia. Depois de instalar mais dois motores no eixo traseiro – criando o primeiro 4×4 da história – o próximo passo foi aumentar a autonomia dos seus automóveis, sem aumentar o tamanho das baterias, que também demoravam bastante a carregar.

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Porsche criou então o conceito de “extensor de bateria”: um ou dois motores de combustão, funcionando idealmente a velocidade constante, alimentam diretamente as baterias, não possuindo qualquer ligação mecânica às rodas.

A medalha de ouro recebida no evento tornou Porsche famoso da noite para o dia

Este primeiro automóvel funcional de motorização híbrida – existiu um projecto belga anterior, que nunca deu mostras de estar a funcionar – foi o Semper Vivus, equipado com motores de combustão de apenas um cilindro, produzidos pela francesa De Dion. Os motores estavam colocados a meio da carroçaria, totalmente expostos, uma solução pouco prática para os passageiros. O Semper Vivus podia esgotar a carga das baterias e continuar a funcionar, graças aos motores a gasolina, que alimentariam novamente as baterias.

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A luta contra o excessivo peso levou à evolução do conceito, com o Porsche Mixte, de 1901, que tinha motor montado à frente, com quatro cilindros em linha, 5,5 litros e 25 cavalos. Este motor estava ligado ao gerador elétrico através de um veio de transmissão. No modo de funcionamento normal o motor de combustão funcionava a velocidade constante, alimentando os motores nas rodas e as baterias com eletricidade de voltagem também constante. A utilização total em modo elétrico era muito reduzida. Mas como não foi possível chegar a acordo com a Daimler para continuar a utilizar o potente motor Daimler, apenas sete Mixte Daimler foram produzidos. A partir de 1903, passaram a ser utilizados motores de gaulesa Panhard et Levassor. Abdicando totalmente do modo elétrico, Porsche reduziu a bateria até ser apenas capaz de fazer o motor a gasolina arrancar por intermédio de um gerador.

Mais uma afirmação, desta vez de teste, para aparecer no meio do texto.

Este gerador tinha um controlo de velocidade eletromecânico e estava acoplado ao motor, funcionando também como volante do motor! A partir de 1906, Porsche continuou os seus projectos na Autro-Daimler, onde desenvolveria muitos outros projectos. Mas o seu híbrido foi, de todos, o mais profético.

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